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sábado, 10 de abril de 2010

R. L. Stevenson

R. L. Stevenson sobre Walt Whitman

Familiar Studies of Men and Books
Robert Louis Stevenson
Prefácio, a moda de crítica (excerto)


Walt Whitman - Aqui temos o caso de uma segunda dificuldade que está sempre presente para o escritor de estudos críticos: ele tem sempre que mediar entre o autor que ele ama e um público que é com certeza indiferente e mesmo adverso a este autor. Muitos artigos foram escritos sobre este homem notável. Um após o outro se inclinaram, a meu ver, ou para a adoração ou para a condenação exagerada. Estes últimos ajudaram a vedar os olhos do nosso exigente público para um escritor inspirado. Os outros, por excesso de veneração, deixaram os mais pé-na-terra revoltados. Fiquei então no centro de um dilema, e entre duas espadas eu me espremi talvez perdendo alguma substância do texto. Vendo em Whitman tantas coisas meramente ridículas, e também tantas outras insuperáveis em força e adequação - vendo o verdadeiro profeta plagiado, como pensei, em lugares como lojinhas chinesas - me pareceu melhor ficar no meio termo, e rir com os detratores quando achasse que tinham alguma razão, e sem hesitação me deliciar com os celebradores do que é imperecivelmente bom, amável, humano ou divino em seus extrardinários poemas. Este era talvez o caminho certo. Ainda assim não posso deixar de notar que na tentativa de segurar as velas do barco entre um autor que eu amo e respeito e um público muito relutante em admitir seu mérito, enveredei por um caminho não apropriado para alguém da minha estatura em relação a estatura de Whitman. Mas o bom e velho homem vai continuar no seu caminho sem ser agravado pelas minhas oscilações de alegria. Ele, acima de todos , entenderá que na tentativa de explicitá-lo para "Mr. Grundy", fui levado a assumir ares de homem do mundo, que em mim ficam simplesmente ridículos, mas que não foram intencionalmente deselegantes para com ele. A questão traz um lado bem pior também, porque na minha predisposicão de ser tudo para todo mundo, acho que pequei pela desproporção. Será suficiente dizer aqui que as falhas de Whitman são poucas e desimportantes quando colocadas junto dos seus surpreendentes méritos. Eu tinha escrito já um outro artigo cheio de gratidão pelo que tinha sido dado a minha vida, cheio de entusiasmo pelo mérito intrínseco dos poemas, e que foi concebido nos extremos da minha eloquência juvenil. O estudo presente é um rifacimento. Dele, e dentro das diretrizes já mencionadas, numa crise de horror aos meus excessos passados, as palavras superlativas e os parágrafos categóricos foram removidas sem dó.
Mas este tipo de prudência traz frequentemente a sua própria condenação. Junto com os exageros, um pouco de verdade também é sacrificada. E o resultado é frio, reticente e relutante.
Resumindo, eu poderia ter falado sempre mais fortemente do que falei.

Tradução de Yader Marques/2010

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