terça-feira, 31 de agosto de 2010
Da Cascatinha
Da Cascatinha
Nova Friburgo, agosto de 2010
Querido Diário, bom dia. Querido Mac, bom dia, melhor. Não, posso começar assim, porque sei que não cumprirei a obrigação de escrever todos os dias, como as meninas adolescentes de outros tempos supostamente faziam. Nem elas escrevem mais seus diários, acho. Mas é um ótimo hábito, nestes tempos em que faço acontecer o tempo do meu dia bastante segundo minha própria vontade. A manhã fica recheada de atividades lá fora, na natureza a minha volta. O sol forte destes dias de fim de agosto em todo o pais também é marcante aqui na serra dos Orgãos. O dia começa com uma humidade gostosa, e vai ficando quente e seco. As noites são límpidas, estreladas, e um pouco frias. O sol vai se impondo devagar, depois das seis meia da manhã. As oito em geral o meu dia começa, e ele já ilumina a mata ciiar e as grandes e pequenas pedras do riacho. Desço o caminho que limpei no mato meio selvagem, serpenteando ladeira abaixo em curvas suaves, passando debaixo de um pinheiro bem europeu, uma conífera, que nada tem a ver com a mata original da região, mas nela se integra bem, dando um toque levemente nórdico ao caminho para a água. Faço sempre um reconhecimento gradual das beiradas do riacho, limpando o território, removendo plantas indesejadas ( o chamado "mato" e algum lixo que é pouco mas presente - um ou outro plástico, metal enferrujado, coisas assim). Pego baldes de agua no riacho, muitos, para molhar as plantas nos vasos carentes da chuva que não aparece. E é impossivel não tirar a camisa e pousar um pouco numa pedra grande qualquer, sombreada e bem no meio da água, ouvindo e vendo o fluxo ininterrupto e forte da correnteza fria que vem lá de cima da montanha. E sintonizar com o tempo das pedras e da água.
Na foto anexa fica registrado meu primeiro paisagismo incidental. Ao limpar os entornos, apareceu mais nítida uma imponente pedra. Na sua parte mais baixa, cresce uma esguia e reta palmeira, e por ela sobe uma costela de adão exuberante. Tentei arrastar um tronco seco da encosta próxima, mas sem sucesso. O máximo que consegui foi empurrá-lo terreno abaixo, e ele parou exatamente sobre a pedra, rente a palmeira. Ainda tentei arrastá-lo do local, mas sem sucesso. De longe isto parecia possivel, coisa fácil. Consegui movê-lo uns poucos centimetros apenas. Mas olhando de uma certa distância, vi que o tronco, pela sua forma, se encaixou perfeitamente no conjunto, em ângulo e proporção. O todo captou o meu olhar. A pedra, a palmeira, a planta crescendo na palmeira, o tronco seco de viés sobre a pedra. O milagre das coisas complementares, que ocorre tão lindamente na natureza. Aí só me restou sentar de novo numa pedra grande, olhar tudo e dizer: Obrigado, mamãezinha!
Assinar:
Postagens (Atom)


