terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Querelle de Brest
≠≠
Querelle hesitou. De repente, ficou frente a frente com a imagem concreta do que ele havia sido há cinco anos atrás, ou mais. Tinha matado um sujeito em Shangai acidentalmente. Orgulho de marinheiro mais orgulho nacional lhe mobilizaram. O crime foi então råpidamente cometido. Um jovem russo o havia insultado.
Querelle atacou e com um golpe de faca extirpou seu olho. Enojado com a cena e para se livrar do horror que ela provocava, cortou a garganta do rapaz. Este drama acontecera de noite em uma rua periférica iluminada, e ele levou o cadáver então para o escuro e o arrumou numa posição acocorada, encostado numa parede. Para terminar, e de certo modo denegrir o homem morto que poderia tão periogosamente atormentá-lo, tirou do bolso da calça um cachimbo de roseira brava e o enfiou na boca da vítima.
Madame Lysiane não concedia a suas "jovens damas" o direito de usar calcinhas de renda preta. Ela tolerava o rosa-salmão, o verde e o amarelo pálido, mas sabendo quão bem ficava nestas meias-calças negras, nunca poderia chegar a admitir que suas meninas se adornassem com a cor escura. Nem tanto porque elas vinham realçar a brancura suave da sua pele que ela as preferia, mas porque o preto dava um tom frívolo a suas roupas íntimas - e ao mesmo tempo um tom mais grave - e Madame Lysiane precisava desta super-frivolidade pelas seguintes razões. No seu quarto, ela levava um tempo tirando a roupa. Como se estivesse pregada no chão pelos saltos altos, ela ficava plantada em frente ao espelho sobre a lareira, e começava a despregar o vestido com a mão direita. Assim abria o lado esquerdo, que começava ao longo da abertura numa curva atrás do ombro e vinha descendo da linha do pescoço até a cintura. Ao fazer isto, usava sem economia pequenos movimentos circulares que eram muito atentos as suas amplas curvas e a agilidade dos seus dedos, enquanto pausava amorosamente em todas as partes mais tentadoras, adocicadas e confortáveis do seu corpo. Era o prelúdio de uma dança ritual cambodiana. Madame Lysiane adorava a sinuosidade dos movimentos do seu braço, o ângulo pontudo do seu cotovelo, e estava certa de que estes eram os detalhes que a diferenciavam da massa indiscriminada.
(Trecho traduzido do romace de Jean Genet, Querele de Brest)
Querelle hesitou. De repente, ficou frente a frente com a imagem concreta do que ele havia sido há cinco anos atrás, ou mais. Tinha matado um sujeito em Shangai acidentalmente. Orgulho de marinheiro mais orgulho nacional lhe mobilizaram. O crime foi então råpidamente cometido. Um jovem russo o havia insultado.
Querelle atacou e com um golpe de faca extirpou seu olho. Enojado com a cena e para se livrar do horror que ela provocava, cortou a garganta do rapaz. Este drama acontecera de noite em uma rua periférica iluminada, e ele levou o cadáver então para o escuro e o arrumou numa posição acocorada, encostado numa parede. Para terminar, e de certo modo denegrir o homem morto que poderia tão periogosamente atormentá-lo, tirou do bolso da calça um cachimbo de roseira brava e o enfiou na boca da vítima.
Madame Lysiane não concedia a suas "jovens damas" o direito de usar calcinhas de renda preta. Ela tolerava o rosa-salmão, o verde e o amarelo pálido, mas sabendo quão bem ficava nestas meias-calças negras, nunca poderia chegar a admitir que suas meninas se adornassem com a cor escura. Nem tanto porque elas vinham realçar a brancura suave da sua pele que ela as preferia, mas porque o preto dava um tom frívolo a suas roupas íntimas - e ao mesmo tempo um tom mais grave - e Madame Lysiane precisava desta super-frivolidade pelas seguintes razões. No seu quarto, ela levava um tempo tirando a roupa. Como se estivesse pregada no chão pelos saltos altos, ela ficava plantada em frente ao espelho sobre a lareira, e começava a despregar o vestido com a mão direita. Assim abria o lado esquerdo, que começava ao longo da abertura numa curva atrás do ombro e vinha descendo da linha do pescoço até a cintura. Ao fazer isto, usava sem economia pequenos movimentos circulares que eram muito atentos as suas amplas curvas e a agilidade dos seus dedos, enquanto pausava amorosamente em todas as partes mais tentadoras, adocicadas e confortáveis do seu corpo. Era o prelúdio de uma dança ritual cambodiana. Madame Lysiane adorava a sinuosidade dos movimentos do seu braço, o ângulo pontudo do seu cotovelo, e estava certa de que estes eram os detalhes que a diferenciavam da massa indiscriminada.
(Trecho traduzido do romace de Jean Genet, Querele de Brest)
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